Estar só,
essa experiência tem magnetizado minha atenção já faz um tempo. Quando começo a rastrear o início disso, encontro flashes do começo da adolescência, quando caminhava nos bosques da minha cidade natal (Catanduvas-SC) e ficava olhando para a natureza como quem desconfia de que tem algo mais por trás do que estava vendo.
A vida vai acontecendo e as circunstâncias foram transformando o ambiente, a energia e a linguagem. Assim, enquanto os dias iam decorrendo dentro do retiro, notei que o direcionamento para vir para um lugar remoto sozinho seguiu a fagulha desse interesse.
Nos meus primeiros encontros com o budismo, isso já havia surgido. Até houve uma tentativa, mas é extraordinário perceber que o amparo, que se apresenta na forma de ensinamentos, conselhos e recursos formam o recipiente adequado para a contemplação das experiências que surgem.
Lembranças, conselhos, ensinamentos, emoções, tudo vai surgindo, se estabelecendo e cessando. Sem nada a reter. Conforme minha atenção se fixa ou relaxa, a experiência muda de sabor na frente dos meus olhos.
Sobre estar só, não houve choque/degrau. A simplicidade de seguir me fez sentir acompanhado, guiado, lembrado, só pelo fato de saber que essa é a trilha que todos seguimos. De nascer, experienciar e morrer.
Tem muitas palavras que se aproximam da experiência, mas não tocam. Minha mente fica procurando elas pra tentar expressar. Assim, como dou conta, sigo com minha motivação de agradecer a conexão que se estabeleceu entre nós, da exata forma que ocorreu e dizer que não há como seguir só, mesmo isolado, não existe solidão possível num universo interconectado.
A sanga próxima que estava em retiro há alguns meses/anos atrás mostra nas suas experiências o rumo da trilha e vai tornando tudo mais palatável. Nossas provações e confiança em seguir vão criando o caminho e assim aspiro, que esse texto seja uma semente para conversarmos, nos apoiarmos e seguirmos.
E no fim, não importa o quanto damos de importância para nossas experiências, elas também não passam de um jogo impermanente.
Grato,
Bruno H Menegat
Abaixo consta o agradecimento completo e dedicações,